Bancada norte

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  • Moneyball

    Ao ver as últimas movimentações de mercado do Sporting, ninguém pode deixar de ficar escandalizado. Foi tudo mal feito e planeado desde o início da época. Dizem os rumores que houve uma proposta de cerca de 2-3 milhões de euros pelo Carriço no Verão. O Sporting rejeitou essa proposta para, poucos meses depois, não renovar o contrato ao central português. Também no Verão, Insúa teve propostas - nomeadamente, do Valência - para deixar Alvalade por uma quantia entre os 3 e os 6 milhões de euros. Também essa proposta foi rejeitada, com o jogador argentino a não ficar muito satisfeito.

    Tudo isto estaria muito certo, se passados seis meses não tivessemos vendido os dois jogadores. Com alguma sorte (pelo azar do QPR), conseguimos que ainda pagassem 750 mil euros pelo Daniel Carriço, pelo facto de o levarem com 6 meses de adianto. Pelos vistos, também foi aceite uma proposta de 3 milhões de euros pelo Insúa, com o qual ainda temos de negociar prémios de jogo em atraso (?). Os dirigentes do Sporting, finalmente, perceberam que o clube se tem de ajustar à realidade. Não há dinheiro para trazer um Pongolle ou Elias por quantidades pornográficas. Nem sei se há sequer dinheiro para pagar os salários dos plantéis profissionais de futebol até ao fim da época. Resta ao Sporting vender ou ceder alguns jogadores cujos salários sejam incomportáveis. 

    O engraçado de tudo isto é que há apenas seis meses se contratava um Pranjic, ex-Bayern, com um salário alto e um contrato até 2015. Tendo em conta que era um jogador com 31 anos e sabendo do seu salário e do estado financeiro do Sporting, como é que é possivel justificar que meses depois e com um rendimento desportivo paupérrimo, este jogador seja dispensado? Para não falarmos de jogadores como Gelson Fernandes ou Onyewu. Tudo foi feito sem se pensar num futuro a longo prazo.

    Godinho Lopes volta a mudar de projecto. Esta nova estratégia, que se assemelha com a do Moneyball, é arriscada mas é inevitável face à situação em que nos encontramos. Esperemos que as decisões certas sejam tomadas para que no médio prazo o Sporting volte a ter uma equipa de futebol profissional competitiva.

    Todos os clubes portugueses terão de se reajustar. Até Benfica e Porto. Se o plano (há algum plano?) que o Sporting está a traçar (?) agora resultar, poderemos até partir com alguma vantagem sobre eles. O Vitória de Guimarães já nos mostrou o caminho. Vendeu ou dispensou jogadores que, apesr de algum rendimento desportivo, tinham salários incomportáveis. Conseguiu alguns jovens valores portugueses e com um treinador competente está apenas com menos 3 pontos dos que os que tinha no ano passado e nas meias-finais da taça de Portugal. Curiosamente, este Vitória de Guimarães conta com um jovem ponta-de-lança luso-guineense que já apontou 5 golos. Chama-se Amido Baldé e, adivinhem, fez a sua formação no Sporting Clube de Portugal.

    Apostas como Dier, Esgaio ou Zezinho são inevitáveis e podem revelar-se surpresas agradáveis. Mas  direcção do Sporting tem de ser franca com a massa adepta e dizer-lhes que se calhar não vai correr tudo bem e que podemos continuar mais algum tempo afastados da luta pelos principais títulos. Mas, desde já o digo, se isso salvar o Sporting, não é nada que me abale.

    Viva o Sporting.

    SL

    • 3 months ago
    • #Sporting Clube de Portugal
    • #Moneyball
    • #Insúa
    • #Daniel Carriço
  • Uma grande nação

    O Sporting é o clube com mais adeptos do mundo. O Maniche, o Costinha e agora até o Miguel Lopes… todos sportinguistas de coração. Uns fizeram - e bem! - a carreira lá fora e não podiam passar ao lado de uma grande oportunidade de encher os bolsos.

    O Miguel, acabadinho de chegar, diz-se Sportinguista “desde pequeno”. Se dissesse o contrário, era para despedi-lo logo, antes que cobrasse um dos seus principescos salários. No fundo, quando é para cá virem receber uns cobres, o Sporting tem uma grande nação.

    Apesar de lhe reconhecer algum valor, sou completamente contra a chegada do Miguel Lopes. Porquê?

    1. O Sporting tem Cèdric, Arías, Pereirinha e até Eric Dier podem fazer o lugar. Podem dizer que o Miguel Lopes está em melhor forma física e até psicológica, mas não duvido que pelo menos 2 jogadores deste lote fizessem tão má figura, quando comparados com o reforço. É fácil ser bom jogador no Porto, mas também é muito fácil ser mau jogador no Sporting, hoje em dia;
    2. O Miguel Lopes, até hoje, não mostrou nada do outro mundo. Dispensado da formação do Benfica, deu nas vistas no Rio Ave e assinou pelo Porto. Pouco jogou e foi emprestado ao Bétis um ano, onde em 21 jogos fez 7 assistências, na 2ª liga espanhola. No ano passado, fez uma boa meia-época final no Braga - onde também é fácil ser bom jogador, hoje em dia.
    3. Após os pontos 1 e 2, o que é que faz o Miguel Lopes valer 1 milhão de euros/época, em salários? Alguém que me explique. É impensável. Um jogador que ganhe tanto dinheiro no Sporting tem de ser um desequilibrador, um ganhador de jogos. Tudo o que o Miguel Lopes não é.
    Estamos, portanto, na presença de mais um negócio ruinoso para o Sporting Clube de Portugal. Desde a entrada de José Eduardo Bettencourt que eles se sucedem em catadupa.
    O presidente do FC Porto voltou a namorar, durante um longo tempo, um dos nossos melhores jogadores. Já tinha acontecido antes, com o João Moutinho e toda a gente sabia da admiração dos azuis-e-brancos pelo Marat Izmailov. Toda a gente sabia e toda a gente via. Ninguém conseguiu (ou quis!) perceber.
    Depois disto tudo, chegamos ao cúmulo de voltar a “negociar” um jogador deste calibre com um rival. Cedemos um dos melhores jogadores do nosso plantel por troca por um jogador que, a priori, pouco acrescentará e não será preponderante como o russo o será no Dragão. 
    A primeira desculpa era a do salário do Marat. Diz-se que ganhava cerca de 1 milhão de euros por ano, o que para quem estava “lesionado”, era muito dinheiro. Mas dar o mesmo milhão de euros a mais um lateral-direito para o plantel, isso sim já é excelente. 
    Quanto mais aprofundamos o negócio, mais ruinoso se torna. O Miguel Lopes acabava contrato em Junho de 2013 e, a partir dessa data, ficaria livre para assinar por qualquer clube, a “custo 0”. O Sporting trocou um activo, com mais 2,5 anos de contrato, por um jogador que, eventualmente, poderia estar livre no fim da época. Do ponto de vista negocial, o Porto queria livrar-se do Miguel Lopes. O Sporting e os seus dirigentes fizeram-lhe um autêntico favor. E, já que o dinheiro abunda, porque não dar um contrato de 5 anos e meio ao Miguel? Repito, cinco anos e meio!
    A cereja no topo do bolo seria (ou será? Alguém sabe?) que os direitos económicos do Miguel Lopes fossem partilhados por ambos os clubes. Na (remota) hipótese de a coisa até ter saído bem para o lado do Sporting, ainda teríamos de partilhar esse lucro de um jogador do qual o Porto se queria livrar. Isto é gestão de topo. Está em todos os manuais.
    O Marat Izmailov, que se dizia em dívida para com os adeptos que sempre o acarinharam e até endeusaram - falhou. É apenas mais um mercenário, dos tantos que já por cá passaram. Se ele realmente andou durante os últimos tempos a ser treinado por técnicos do FC Porto e, mais grave, se lá chegar e acabarem todas as suas “lesões” e “problemas”, rendendo ao mais alto nível, o russo será, nada mais, nada menos, que um pulha. Um pulha que andou a brincar connosco e mais um que se serviu do Sporting.
    A priori, é um negócio ruinoso. Não ficamos evidentemente mais fortes e reforçamos, mais uma vez, um rival, com um jogador de enorme categoria. A nível económico está desmontada a mentira da redução de despesas, com a saída do russo. Quanto ao desportivo, ainda está por ver, mas tudo leva a crer que o Sporting saia a perder, mais uma vez. É triste. Dói.

    SL
    • 4 months ago
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    • #Sporting Clube de Portugal
    • #Marat Izmailov
    • #Miguel Lopes
  • A gangrena do Leão

    Hoje é um dos dias mais tristes da minha vida. Sinto a definhar, a cada dia que passa, o grande amor da minha vida e sinto-me impotente, a ver cair um dos maiores símbolos desportivos que o mundo já conheceu.

    Visconde de Alvalade

    Os títulos e conquistas de outrora, só comparáveis a outro grande clube eclético como é o Fútbol Club Barcelona, já só estão nas cassetes, nos arquivos e nas memórias. O leão cambaleia, ferido de morte, sem fulgor e sem conseguir rugir. Chora e vai morrendo, com os desgostos e traições. A massa adepta assiste e sofre, em qualquer estádio, em qualquer pavilhão, em qualquer café, em qualquer casa…

    O Sporting, clube eclético, já não é hoje - nem tem sido - candidato aos títulos de andebol ou hóquei, desportos de pavilhão número um no nosso país. O Sporting não tem equipa de voleibol e só este ano voltou a lançar as raízes do basquetebol e, imagine-se, do rugby, a modalidade que envergava a camisola verde e branca, às listas e que só depois passou para o futebol.

    Primeiro símbolo do Sporting

    O Sporting já não tem, hoje, uma equipa de futebol temível no seu estádio. Já não tem, hoje, uma claque respeitada aqui e lá fora. Preferiram as intrigas, o dinheiro e renderam-se às drogas. A minha única droga é continuar a ver os jogos do Sporting, semana após semana. De futebol, de futsal, até de andebol quando passam na televisão.

    Quando tinha 8 ou 9 anos, visitei o antigo Estádio José Alvalade, pela primeira vez. Infelizmente, o Sporting jogava (e perdeu) em Guimarães, contra o Vitória. Tive, então, a sorte de ver um jogo entre o grande Sporting, liderado pelo Ricardo Andorinho, e o DF Holanda, outra potência desportiva da modalidade. Foi lindo. A nave de Alvalade vibrava com cada golo e exultava cada defesa do Carlos Ferreira.Nave de Alvalade, num jogo de hóquei em Patins

    Hoje em dia, tudo isto se perdeu. O Sporting não é de Lisboa, é de Portugal, mas aquele espírito, aquela garra e aquela paixão só podem estar em Alvalade. Por muito que eu goste do Casal Vistoso, de Oeiras, de Odivelas ou de muitas outras casas que já nos acolheram, também a nossa gloriosa casa das modalidades - e dos sócios! - levaram.

    Levaram tudo e deixaram uma raposa astuta, no Norte, criar uma estrutura, cada vez mais forte e tomar o nosso lugar. Nunca ninguém, outrora, trocaria o dérbi de Portugal, Sporting vs Benfica, por um Norte vs Sul, liderado por um clube que mesmo em tempos áureos, não consegue encher um estádio. Hoje em dia, apesar da massa adepta, o Sporting tem cada vez menos uma palavra a dizer. Extinguimos as modalidades e também aí desenrolamos um tapete vermelho, para no Norte festejarem ano sim, ano também, conquistas de hóquei, basquete e andebol. Manuel Fernandes

    A nossa aposta foi outra. Apostamos pelo modelo Roquette, com dois tt, porque até é um nome fino. Vendemos a alma ao Diabo, nesse momento, e nunca mais fomos os mesmos. Passaram por cá mais, não para servirem o Sporting, mas para se servirem do Sporting. Mesmo debaixo das nossas barbas. Com o José Eduardo Bettencourt - também com dois tt, curiosamente - ficamos feridos de morte. Hoje, com Godinho Lopes, a ferida virou gangrena. 

    Já vendemos (quase) tudo o que tínhamos. Direitos televisivos futuros, património, tudo o que é possível imaginar. Vendemos, também, uma fatia da nossa dignidade, quando transferimos o nosso capitão da equipa de futebol, com 10 ou 11 anos de casa, ao rival do Norte. Tratamo-lo como uma maçã podre - que o é! - e vimo-lo sagrar-se campeão por esse mesmo clube, nessa mesma época, depois de nunca tê-lo conseguido fazer de verde e branco. Tudo isto dói. Tudo isto serve para achincalhar e envergonhar esta instituição centenária que foi e é muito maior do que algum dia serão senhores com apelidos de dupla consoante. 

    Para cúmulo, deixamos o presidente do FC Porto assediar os nossos jogadores, anos antes das transferências sequer se concretizarem. “É um jogador à Porto”, dizia Pinto da Costa, muito tempo antes de sequer o negócio se concretizar. O mesmo fez com Marat Izmailov, cozinhado em lume brando e tantas vezes associado aos azuis-e-brancos. E ninguém percebeu. Pelo menos ninguém dos que devia perceber e estar atento percebeu. Cairam, outra vez, numa armadilha. Está a jeito e, mesmo sem saber se os contornos de que se tem falado para o negócio se vão concretizar, é mais uma facada nos sportinguistas.Um clube tão grande, como os maiores da Europa. José Alvalade

    Godinho Lopes - e JEB - estão num patamar muito superior ao do burlão João Vale & Azevedo, que quase conseguiu estragar um clube centenário com o Benfica. Estes dois senhores (e outros!) são o rosto da delapidação do Sporting e dos seus valores. Sem rei nem roque, vão contratando e despedindo, com uma dívida astronómica a pagar ao amigo Ricciardi - duas consoantes, não há coincidências - e sem um projecto desportivo que erga o Sporting e lhe traga uma nova e airosa vida.

    O esforço, dedicação, devoção e, sobretudo, a glória são cada vez mais inscrições na areia, para estes mercenários que não merecem vestir a nossa camisola. Exijo uma refundação, com os valores do Sporting e não do sportingzinho e com pessoas que sintam e que amem este clube como eu tanto amo.Juve Leo, no antigo Alvalade

    Espero que, um dia, os meus filhos e netos possam ir comigo a Alvalade ver o Sporting jogar e ouvir o leão rugir. Espero poder contar-lhes sobre o Peyroteo, o Manuel Fernandes e os 7-1, quem eram os cinco violinos, falar das nossas conquistas e também das nossas derrotas contra o grande rival, o Benfica, porque também as derrotas e as vitórias, mais ou menos sofridas, fazem parte da história deste grande clube.

    Espero nunca ter que contar-lhes a magnífica história do Sporting como uma lenda ou um mito  e espero nunca ter de dizer-lhes que um bando de criminosos conseguiu, em menos de 20 anos, matar o amor das nossas vidas.

    Um abraço a todos e Viva o Sporting!

    • 4 months ago
    • 2 notes
    • #Sporting Clube de Portugal
  • Seria também a minha escolha

    Rui Patrício é o capitão

    • 4 months ago
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    • #Sporting Clube de Portugal
    • #Rui Patrício
  • Boa sorte, Daniel

    Sem dar muito nas vistas, o Daniel Carriço foi transferido para o Reading. Não posso dizer que estou surpreendido, por três motivos:

    1. O contrato do jogador expiraria em Julho de 2013;
    2. O Daniel Carriço, por muito sportinguista e excelente profissional que seja, não atingiu aquilo que dele se esperava quando estava nas camadas jovens;
    3. Já tinha uma informação, que se veio a confirmar, de que o jogador teria assinado pelo Reading.

    O primeiro ponto ditou que as contra-partidas para a transferência do Daniel fossem baixas. É normal e apenas foi pago esse montante porque o Reading é a 2ª pior defesa do campeonato, fazendo com que a transferência se antecipasse por 6 meses.

    Acho que a transferência acaba por ser do agrado de todos: o Sporting porque encaixa 750 mil euros, que nesta altura do campeonato são muito importantes e o jogador, que poucos minutos tinha, tem a oportunidade de crescer e de jogar numa liga diferente. Não escondo, no entanto alguma tristeza com esta saída: em primeiro lugar porque o Carriço é um grande sportinguista, em segundo lugar porque é um jogador português e em terceiro lugar porque eu acho - ou achava - que ele tem potencial para mais.

    Esse potencial, mais uma vez, não foi explorado no Sporting. Há jogadores que prometiam menos e conseguiram mais, porque as condições nos clubes onde estão são diferentes. Ora porque ganham (títulos) frequentemente ou porque a estrutura técnica é competente e permite uma melhor integração. É que em Alvalade, as maçãs apodrecem com facilidade, pelo menos na óptica de alguns. Por outro lado, desprezam-se os jogadores da casa para se darem alvíssaras aos de fora. Até se aplaude o Ruben Micael, de pé, mesmo antes de ele se transferir para o FC Porto.

    Sendo assim, resta-me desejar a melhor das sortes ao Daniel, que também soube mostrar gratidão ao clube que o formou, ao contrário de outros. Espero que um dia volte se - e só se - estiver mais maduro e mais jogador.

    SL

    • 4 months ago
    • #Sporting Clube de Portugal
    • #Daniel Carriço
  • The human one

    Tinha-me deixado de fazer posts longos. Optei, recentemente, por destacar certos pontos de cada jogo por ser mais sucinto. Contudo, hoje, achei por bem escrever mais acerca do jogo de ontem, no La Rosaleda, Málaga 3-2 Real Madrid.

    O José Mourinho é, desde há anos, um treinador que admiro e onde, de certa forma, busco alguma inspiração. É português e o melhor, ou dos melhores, do mundo na sua área. Em 10 anos ganhou a liga em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha. Também ganhou as respectivas taças, uma Taça UEFA e duas Ligas dos Campeões. Um português que detém este curriculum é, certamente, uma fonte de inspiração e de admiração de qualquer um de nós.

    Desde que chegou a Espanha, tratou de pôr a imprensa, nomeadamente a afecta ao Real Madrid, em ordem. Filtravam-se XI’s iniciais, notícias do balneário, tudo. A relação entre o José e a imprensa espanhola nunca foi fácil e ainda menos fácil é quando o português se tinha de enfrentar ao Barcelona de Pep Guardiola: uma equipa que se conhece muito bem, com uma matriz muito bem definida e, provavelmente, a melhor equipa que o futebol alguma vez viu. Era um desafio digno de Hércules.

    A história começou mal. Em Novembro visitou o Camp Nou e foi goleado por 5-0, numa exibição memorável dos blaugrana. A partir daí, conseguiu uma série de muito bons resultados contra o Barça, conseguindo vencer-lhes a Taça do Rei, no prolongamento. 

    Acho que o problema começa, precisamente, aqui: a forma como esses clásicos, carregados de intensidade e dureza foram abordados pelo José Mourinho foram como uma guerra. Isto chegou a um ponto tão extremo que qualquer olhar fazia faísca. Se eu - José Mourinho - ganho, tudo bem. A vitória é minha. Se perco, é porque os árbitros não me deixaram. Se eu ganho, é limpo, é justo. Se são os outros, é sujo, é injusto, é a UNICEF, é o Villarato, é o calendário. Chego à sala de imprensa e tiro uma lista de erros de arbitragem que me prejudicaram. Por qué? Planifico sempre bem os jogos? Nunca me engano? Calo-me, quando não expulsam o Pepe por uma agressão ou quando me beneficiam.

    O Real Madrid, conhecido pelo seu señorío e por ser o “segundo clube” de todos passava a ser um ódio de estimação. Em Pamplona, em Gijón, em Saragoça, em todo o lado. Porquê? Por ganhar e ser o melhor? Ao Barça não lhe aconteceu. Nem a outras equipas do Real Madrid - treinadas por estrangeiros (Toshack, Capello, Heynckes) - que ganharam títulos importantes. A afición, que cresceu e viveu com este espírito de señorío na vitória e também na derrota, divide-se. Uns compram a guerra de José Mourinho, outros optam pela postura de toda a vida.

    No primeiro ano, o Barcelona foi superior dentro das quatro linhas, com o Real a estreitar a margem para os catalães. No segundo ano - tradicionalmente, os melhores de Mourinho - o Real Madrid atingiu uma maturidade de jogo, aliado a um contra-ataque e eficácia tremendos. A confiança estava no auge e qualquer jogo que estivesse 0-1 - e foram vários - o Real Madrid virava para 4 e 5-1 e Cristiano Ronaldo, em plano estelar, comandou a equipa à liga com mais pontos e golos jamais conquistada em Espanha. Indiscutível. Foram os melhores. Com diferença.

    Entretanto, dado o que tinha acontecido nos últimos clásicos, Del Bosque ligou aos dois capitães - Iker Casillas e Xavi - e, basicamente, disse-lhes que tinham um campeonato da Europa pela frente e que a equipa espanhola era constituida, basicamente, por jogadores das duas equipas e a ver se se entendiam. Assim foi, Iker Casillas e Xavi falaram ao telefone e a cada um ficava imcumbida a tarefa de apaziguar os seus. Para mim, aqui foi o momento definitivo de viragem da relação de Iker Casillas e José Mourinho. O treinador português que via a rivalidade com o Barcelona como uma guerra sem trincheiras, sentiu-se traído por um dos seus soldados, pelo seu capitão.

    E depois do Europeu? O Real Madrid, começou a pré-temporada desprovido de boa parte da sua equipa, já que Portugal e Espanha chegaram longe na competição de nações. Os inícios não foram prometedores, porque a equipa também não o permitia. Os jogadores-chave chegaram tarde e as habituais giras de pré-época de clubes como o Real Madrid não ajudam à planificação, por parte dos treinadores. Houve indefinição quanto ao plantel.

    Quem entra? Quem sai? José Mourinho parecia querer um jogador para o meio campo, Luka Modric e um lateral-direito que bem conhecia, Maicon. Ter-lhe-á sido dito (?) que só poderiam trazer um deles. Alguém - o próprio José Mourinho, o outro - terá decidido que era prioritário trazer o jogador croata. Custou 35 milhões de euros. Repito, 35 milhões de euros, por um médio-centro fino, de toque curto e para que a equipa tenha a bola no seu poder. Parece tudo o contrário de Lassana Diarra, que saiu para o Anzhi.

    Quereria Mourinho rodar Xabi, Modric e Khedira para ter os jogadores mais frescos para o ataque às 3 competições? Abdicaria de jogar com Ozil para jogar com os 3, deixando toda a velocidade em Cristiano Ronaldo, Dí Maria e Benzema/Higuaín? Todos ficamos à espera. Era mais prioritária a posição de Luka Modric, ou contratar um verdadeiro lateral-direito, como Maicon, em vez de ter um Real Madrid coxo, com Arbeloa? Quem tomou estas decisões? É uma pergunta sincera que faço. Quem foi o responsável por esta decisão de trazer um jogador de 35 milhões, para uma posição que está coberta e deixar escapar Maicon, por 6 milhões de euros, para o Manchester City.

    E quem decidiu trazer Fábio Coentrão, por 30 milhões de euros, tendo Marcelo para a posição? Mais, tendo Marcelo sempre demonstrado render a um nível superior. Não é caro, mesmo para o Real Madrid, ter um suplente que tenha custado tanto? Não seria mais lógico que a posição preenchida fosse a de lateral-direito, com Arbeloa como suplente de ambos?

    Se continuamos, vemos a entrada de Essien - jogador da confiança de Mourinho, mas a quem as lesões arruinaram a carreira - para substituir a posição deixada por Lass? Faz sentido, é um jogador mais físico e que José Mourinho conhece bem. Ainda por cima, vem emprestado e não pressupõe uma grande despesa para os merengues. Mas o Essien veio para… jogar a lateral esquerdo? a lateral direito? Sim, é uma adaptação, mas porquê? Porque é que se adaptou o Essien? Porque não se comprou um lateral-direito, em primeiro lugar? Porque se deixou Carvajal, lateral-direito da cantera, fugir para o Leverkusen, a troco de 6 milhões de euros? Porque não confia em Nacho, lateral-esquerdo de raiz, porque diz que o seu treinador no Real Madrid Castilla, Toril, o põe a jogar como central? 

    Eu, treinador e manager - palavra da moda - do Real Madrid dou aval à transferência de Joselu - melhor marcador da 2ª divisão B espanhola, com a equipa B - para o Hoffenheim e ainda fico com Morata na 1ª equipa, mas que não joga, deixo a equipa de Toril “descalça” e ainda venho criticá-lo publicamente, porque ele faz adaptações, tendo em conta as limitações do seu plantel? Caso o José Mourinho não saiba, o Real Madrid Castilla joga o 2º escalão profissional do seu país e, se lhe vendemos os melhores jogadores, é provável que o seu treinador tenha que fazer adaptações, porque não tem um orçamento equiparável ao da equipa principal, obviamente.

    O plantel está, claramente, desiquilibrado, mas ganha a Supertaça. Quando os outros a ganhavam ela pouco valia, portanto presumo que continua a valer o mesmo. Chega o primeiro jogo da liga. O Real Madrid joga mal e o Valência empata no Bernabéu, 1-1 e segue-se um início de temporada péssimo. Estão a 8 pontos do Barcelona. Na Liga dos Campeões, apesar das dificuldades - no grupo mais difícil da competição - acabam por passar, em segundo lugar. A equipa não rende como no ano passado. A eficácia, que tinha sido tremenda, baixou. Não marcam os  mesmos golos, os contra-ataques não saem tão bem, não jogam com garra e falta-nos confiança. O balneário está dividido e alguns jogadores, sobretudo os espanhóis, já não confiam em José Mourinho.

    A culpa é do calendário. O clube não me defende. Aviso para o Sérgio Ramos, banco. Perdemos em Vigo, contra um Celta valente, para a taça. Aviso para… Dí María? Kaká? Ozil? Estou a 13 pontos do Barcelona, jogo em Málaga, 3º classificado, a 5 pontos de nós. Iker Casillas, banco - dez anos depois; Essien a lateral e fico com Nacho no banco, outra vez. Primeira parte bem jogada, mas sem golos. Sofro o primeiro e desesperadamente (?) meto o Kaká, em quem não confio muito (?). O Málaga, comandado pelo golden boy Isco, quer ganhar o jogo dez vezes mais do que a minha equipa. Desesperadamente, com 3-1, Sergio Ramos vai para ponta-de-lança. Morata - lembram-se dos parágrafos anteriores? - no banco.

    José Mourinho, o bravo, vai à sala de imprensa. Conhecido pela sua frontalidade, perguntam-lhe por Iker Casillas. Mente e diz que foi uma decisão técnica. Que Adán estava mais em forma do que o, considerado por alguns, melhor guarda-redes do mundo. Se é assim, assume a responsabilidade de, no terceiro golo do Málaga, oferecer o 1º poste a Roque Santa Cruz? Não. Disse que ter lá o Adán ou outro qualquer não faria diferença no resultado final. Se calhar, não, é verdade. E qual é a explicação para jogar com Essien na esquerda ou de colocar Sergio Ramos como ‘9’? Porque é que a “auto-crítica” é sempre para os jogadores e dirigentes? Porque o clube não me defende, porque o calendário, porque os árbitros, porque os Mayas… E tu, José? Não ouvi dizer que o planeamento do jogo não foi adequado e que, durante momentos, a sua equipa levou um autêntico banho, do Málaga.

    Também ele, um dos melhores do mundo, erra. E não fica nada mal admiti-lo. Há erros no planeamento da época e do plantel, em algumas abordagens e em alguns jogos. Desde o XI inicial até algumas substituições questionáveis. E sim, há questões nas quais José Mourinho tem (pouca/alguma/toda) razão, mas não podemos ter uma lei ou bitola para nós e uma diferente para os outros. A culpa é de todos, mas nunca é minha.

    Por qué?

    SL

    • 4 months ago
    • 1 notes
    • #José Mourinho
    • #Real Madrid
    • #Málaga CF
    • #Isco
  • O Professor Jesualdo

    1. É inegável o seu conhecimento sobre o futebol e, mais profundamente, o futebol português;
    2. Sempre disse que seria o único português (além de Mourinho) que aceitaria na equipa técnica do Sporting; Se calhar vem tarde de mais, ou cedo de mais, do ponto de vista de Vercauteren;
    3. Não sei se alguém acredita mesmo nesta versão do manager, mas se há alguém que pode sê-lo, é o Jesualdo Ferreira;
    4. Não me esqueço do trabalho realizado com Lucho González,Lisandro López, Rolando e Radamel Falcao. Todos sofreram uma evolução notável nas mãos do professor;
    5. É um homem da formação e o Sporting é um clube da formação. Parece encaixar;
    6. É sério e frontal. Disse que poderia, eventualmente, substituir Vercauteren - eu tenho quase a certeza de que vai - e não colocou problemas a uma eventual transferência do adorado Marat Izmailov;
    7. Em frente, Jesualdo. O teu sucesso é o sucesso do Sporting.

    SL

    • 5 months ago
    • 1 notes
    • #Jesualdo Ferreira
    • #Sporting Clube de Portugal
  • Sporting - Académica

    Sobre o Sporting 0-0 Académica:

    1. Pouco futebol, por parte das duas equipas;
    2. Sporting lento a pensar e deficiente a executar. Frank Vercauteren tem muito trabalho pela frente;
    3. A Académica dominou alguns momentos do jogo e nunca pareceu incomodada pela equipa da casa;
    4. Bom jogo de Viola, que parecia o único a querer remar contra a maré;
    5. E (São) Rui Patrício;

    SL

    • 6 months ago
    • #Liga ZON Sagres
    • #Sporting Clube de Portugal
    • #Académica de Coimbra
  • Notas sobre o Chelsea - Manchester United

    Sobre o Chelsea 2-3 Manchester United:

    1. Início péssimo do Chelsea. Com Ramires e Obi Mikel lado-a-lado, a defesa sofreu bastante. Os dois primeiros golos do Manchester são a prova disso;
    2. O desposicionamento de Ramires, no segundo golo dos red devils, com Gary Cahill a ficar com 2 jogadores para si.
    3. Grandes combinações entre Rafael e Valencia, que puseram a cabeça em água a Ashley Cole, durante toda a primeira parte;
    4. Mata esteve soberbo em campo. Primeiro dirigiu a equipa no sufoco ao United, durante minutos finais da primeira parte. Depois fez o primeiro e insistiu na jogada que acabaria por dar o 2-2;
    5. As expulsões de Ivanovic e Torres e o golo (ilegal) de Chicharito Hernández;

    MVP Manchester United: Robin van Persie

    MVP Chelsea: Juan Mata

    SL

    • 6 months ago
    • #chelsea fc
    • #Manchester united
    • #Mata
    • #Robin van Persie
    • #premier league
  • Notas sobre o derbi de Merseyside

    Sobre o Everton 2-2 Liverpool:

    1. Início demolidor do Liverpool. Melhores no meio-campo e conseguiram dois golos em 20 minutos;
    2. O Everton reagiu , com a inestimável ajuda da defesa do Liverpool, chegou ao empate;
    3. A  partir do 2-2, o jogo, salvo raros momentos, pertenceu aos toffees;
    4. Se a defesa foi o calcanhar de aquiles na primeira parte, as substituições de Rodgers deixaram a equipa “sem” meio-campo na segunda. Gerrard quase não se viu. Shelvey tentou, sozinho, construir o jogo do Liverpool, sem sucesso.
    5. Sterling esteve perdido o jogo todo e falhou uma grande oportunidade de golo, num cara-a-cara com Tim Howard;

    MVP Liverpool: Suárez

    MVP Everton: Fellaini

    SL

    • 6 months ago
    • #premier league
    • #Everton
    • #Liverpool
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